sábado, 6 de dezembro de 2008

Antropocentrismo X Ecocentrismo


Antropocentrismo X Ecocentrismo


O Antropocentrismo é o pensamento ou a organização que faz do homem o centro do universo, em cujo redor (ou órbita) gravitam os demais seres, em papel meramente subalterno e condicionado. É a consideração do homem como eixo principal de um determinado sistema, ou ainda, do mundo conhecido. Tanto a concepção quanto o termo provêm da Filosofia.
Assim, considerando-se “centro”, o homem distancia-se dos demais seres e, de certa maneira, se posta diante deles em atitude de superioridade absoluta. A tradição judaico-cristã reforçou esta posição de suposta supremacia absoluta e incontestável do ser humano sobre todos os demais seres, como se pode constatar em certas passagens do Apóstolo Paulo e no contexto da Filosofia Cristã.
Ao longo do tempo assistimos a uma gradativa passagem desta cosmovisão antropocêntrica para outra ecocêntrica, atravessando várias etapas. Na visão ecocêntrica as preocupações científicas, políticas, econômicas e culturais se voltam para a oikos, ou seja, para a Terra, considerada casa comum e, mais do que isto, um sistema vivo, constituindo, ela mesma, um “organismo vivo”.
A consideração aprofundada do sentido e do valor da vida sacudiu o jugo do antropocentrismo. Sendo a vida considerada o valor mais expressivo do ecossistema planetário concentrou-se grande ênfase no seu valor. Com o foco voltado para a vida e todos os aspectos a ela inerentes, surgiu o “biocentrismo”. O valor vida passou a ser um referencial inovador para as intervenções do homem no mundo natural. No dizer do médico suíço-alemão Albert Schweitzer[1], “sou vida que quer viver e existo em meio à vida que quer viver”.
Nesse contexto, desponta a Bioética que se estruturou para responder às questões práticas, ligadas a valores, principalmente em face das questões suscitadas pela Biotecnologia.
Entre os seus enunciados de preceito ético-ecológico, Leonardo Boff é categórico ao dizer que se deve agir de tal maneira que não seja destrutiva da Casa Comum, a Terra, e de tudo que nela vive e coexiste com o homem. Ou que deve o homem agir de tal maneira que permita que todas as coisas possam continuar a ser, a se reproduzir e a continuar a evoluir junto com o homem. E ainda que se deve agir de tal maneira que seja benfazeja a todos os seres, especialmente aos vivos.
Tal preceito tenta remover ou neutralizar a “ética predatória” e perversa que erode o Planeta e subtrai a sustentação dos sistemas vivos e das redes que conectam os componentes do ecossistema planetário.
Neste contexto, a Ciência Jurídica não pode isolar-se do processo evolutivo do saber e da abordagem do meio ambiente, é necessário que ela estabeleça um diálogo com outros saberes e se transforme na guardiã do Planeta Vivo.

A TUTELA JURÍDICA DOS ANIMAIS

Priscila Magne Bueno Yaegashi

Um comentário:

Anônimo disse...

Obrigada, cidadã do planeta Terra, por postar um trecho do meu artigo. Espero que ele possa contribuir no nosso processo de conscientização ambiental.
Forte abraço!

DAR VOZ A NATUREZA